Era uma vez um mercado focado em preços, consumidores cuidadosos procuravam pelas menores cifras e empresas inteligentes achavam soluções cada vez mais criativas e inovadoras para baratear o custo e o valor final de um produto. Eu gosto de chamar isso de “a guerra das balas”.
Me lembro quando era pequeno e tinha a vendinha na frente da escola e bala é o dinheiro do estudante do fundamental assim como cigarro é o dinheiro do prisioneiro de filme americano. Todas as negociações da escola, às vezes até “amorosas” giravam em torno das balas que comprávamos na vendinha lá na frente da entrada da escola. Eu me lembro também que houve um tempo em que pagávamos 0,5 centavos em uma bala de maça verde que todas as crianças adoravam, mas ai essa bala aumentou o preço e de 0,5 centavos chegamos aos 0,10 centavos por bala e o curioso foi que ao invés de continuarmos comprando a bala, nós em nossa inocência pré-adolescente procuramos por outra bala que custasse cinco centavos e o motivo para isso era bem simples, pelo menos para mim foi. Cheguei um dia na vendinha com meus costumeiros 50 centavos e fui avisado que as minhas 10 balas agora eram apenas 5, não gostei da ideia e perguntei “Tia! Qual custa 0,5 centavos pra eu comprar 10 balas?” e fui apresentado para um outra bala que até então ficava na caixinha escondida na segunda prateleira do balcão, onde nenhuma criança prestava atenção até ela se tornar a bala mais barata da vendinha e foi assim que eu conheci a bala que embalou meu ano letivo, sempre custando os mesmos costumeiros e adorados 0,5 centavos. A questão é que naquela época nós fomos “treinados”, ou melhor, acostumados a comprar 10 balas e não queríamos comprar 5 pelo mesmo preço.
Hoje quando entro na padaria e pergunto ao atendente o preço das balas percebo que quase não existe essa variação, todas as balas custam os mesmo 10 ou 15 centavos, dependendo do local de que estamos falando, mas é isso ai, todas as balas custam o mesmo preço e a minha lógica de criança não serve mais. Então, como é que eu escolho a minha bala?
Bom, como publicitário e empreendedor eu posso falar em termos bastante complexos sobre valor agregado, mark-up e outras coisas mas a verdade é que eu compro a bala que custava 0,5 centavos quando a outra custava 0,10 mesmo que os papéis tenham se invertido e a minha bala de morango esteja mais cara que a outra de maçã-verde e eu faço essa compra porque sempre que vejo e experimento essa bala eu me lembro daquele momento da minha vida, parado na frente do balcão conversando com a tia da vendinha da frente da minha escola.
A verdade é que hoje nós já inovamos tanto e barateamos tanto que não vale mais a pena comprar o mais barato, já que os preços e suas variações acompanham quase que diretamente a experiência que aquele produto quer causar em seu consumidor e isso quer dizer que se você ainda é um consumidor da minha época de colégio você está comprando as cegas em um mercado com um mundo de novas experiências para te oferecer. Não estou dizendo que não devemos comparar preços e economizar dinheiro estou apenas dizendo que a compra inteligente é aquela que irá te causar a melhor experiência e não aquela que irá afetar menos o seu plano financeiro. Esse conceito é comum para empresários, empreendedores, marqueteiros e etc… nós sabemos que o mercado mudou e que nossas empresas e empreendimentos devem mudar junto mas eu ainda vejo muito consumidor fazendo suas compras como fazíamos há 10 ou 20 anos e, honestamente, comprar assim é como investir em capital de risco achando que é um jogo de azar. Eu posso ganhar? Sim! Mas as chances de não ganhar são muito maiores!
Pessoas compram além de produtos, pessoas compram histórias e experiências!
Obs: Precificação é mais relacionado ao VALOR que o seu produto oferece do que ao CUSTO que o seu produto gera!



